E FOI-SE
O Vento passou.
A chuva passou.
Ficou o céu sereno sem nuvens,
o mormaço escaldante.
E a vida dilacerava os dias aos dias
e o tempo ao tempo
e o medo ao medo.
Restou desesperança,
insucesso, não-êxito, desgraça,
destempero, ódio seco, a estagnação.
Onde foi parar os momentos, memórias,
que escapando ladeira abaixo, desmoronando, foi-se?
Quais folhas, arbustos, pudera segurar-se?
Quem, a si, salvar-se?
Passou!
O vento e a chuva e o céu e o calor
e os dias e o tempo e o medo e os momentos
e as memórias e a ladeira e o morro e as folhas
e os arbustos e quem mais pudera.
E foi-se embora!
FELIZ 12
Enfim, novo ano! Novas oportunidades. Renovo!
O ano 12 é um ano de possibilidades, onde um horizonte de coisas se apresentam. Basta escolher.
Uns casarão, outros mudarão de emprego, de vida, de cônjuge, de cidade, de país. Encontros e despedidas se darão. Problemas serão solucionados, dando lugar para novos desafios e oportunidades. Para muitos a esperança findará, para muitos se multiplicará.
Ano 12, doze meses e muitas outras histórias para contar. Tristes e alegres, boas e ruins, todas nos marcarão, nos ensinarão, levarão parte de nós, nos trarão novos trejeitos e manias, cada qual a seu modo. Histórias.
O meu desejo é que no meio de todo esse emaranhado de vidas, momentos, possibilidades que se apresentam, que se abrem diante de nós, não falte nunca espaço para estarmos gratos!
Grato, satisfeito, reconhecendo em todas as coisas e em todo o tempo, tudo aquilo que merece ser louvado. Expressar a satisfação de estar vivo e vivo desfrutar das possibilidades de modo intenso, verdadeiro e único (pois acredite, cada respirada singular jamais será de novo).
Esse é o ano que eu vislumbro e é assim que eu quero nele estar: Grato!
É O OUTRO!
Vi, como um bom bisbilhoteiro da vida alheia, uma frase, um comentário sobre quão egocêntrico os jovens hoje se apresentam. Por infelicidade, ou por descuido, também comentou-se, que nós – aqueles que não somos egocêntricos – sofremos ao vê-los tão dispersos, olhando apenas para seus próprios umbigos.
Pensando sobre esse egocentrismo do outro, a única coisa que vi, foi a mim mesmo; tão egocentrico que de tanto olhar para o meu umbigo, acreditei que ele fosse o outro. Assim vi a mim em todos aqueles que para mim não era apenas eu mesmo.
Pensando nessa salada toda, descobri algumas coisas sobre mim: que seria bom se todas as minhas ações para o próximo fosse sempre em prol do outro; ás vezes, o que eu faço para o próximo é mais por querer ser efetivo com aquilo que creio que sou, que por está diante do outro, me dispondo e me abrindo para o outro.
Vivemos uma busca por entendermos de fato quem somos. Mesmo que não seja algo “na cara”, ou uma pergunta que de fato vem à nossa mente de forma tão óbvia, quem eu sou?, mas de diversas formas estamos tentando acreditar que somos algo, ou tentando provar, ou sermos aceitos pelo que somos. “Se somos, somos, isso é o que importa”, diria o cantador (Seu Lega Gaspar).
Mas se ser é o que importa, não importa quando somos, por que se ser (quando sou) é motivo de orgulho para mim diante dos outros, como a criança do “eu tenho, você não tem”, talvez não sejamos de fato. Ser e ter que provar o que se é o tempo todo, talvez seja por não-ser. Ser só teria sentido enquanto estou sendo. Talvez ter que ser, é deixa de ser para que o outro seja. A linguagem atrapalha muito aqui. Está sendo quando não há preocupação em ter que ser, mas apenas em que o outro seja.
O que quero dizer de fato é que enquanto não me abro para o outro, tanto à Deus quanto ao próximo, não sou capaz de ser. E quando falo abrir-se para o outro, quero que a ênfase esteja no outro. Mais uma vez esbarro-me na linguagem, mas o outro enquanto outro mesmo, não outro mesmo de mim, mas o outro que não sou eu, que é diferente, que é estranho. É permitir que alguém mais seja (o outro seja), que não eu mesmo. Não ser, ou não ter que ser, me ajuda a ver o outro, como ele é, e não como eu acho que tem que ser.
O ser só pode ser enquanto se é. Se tiver que se questionar sobre o que se é, talvez não seja. Como diria Deus a Moisés, Sou o que sou, e eu complemento, quando sou, e como sou o tempo(?) todo, pode me chamar apenas de Eu sou! Deus é, então Ele não se questiona sobre o Ser dele. Mas o ser que somos nós, o tempo todo pergunta pelo ser, pelo seu sentido, pela sua razão de ser. Talvez por que o seu sentido esteja naquele que é de fato e verdade. Aquele que é tudo em todos!
Quando alienamo-nos de Deus, ficamos tateando buscando ser alguma coisa, anulamos o outro, por que precisamos ser, ansiamos por ser. Ao alienarmo-nos de Deus, no alienamo-nos do outro também, por que eles apenas vão nos mostra o que não somos.
Agora Deus é tão bom que mesmo tateando nós podemos o encontrar, no mundo, na vida, na natureza, no outro. Mas temos tanto medo da responsabilidade de ser, que não sendo vemos isso (o não-ser) apenas naquilo que chamamos de outro. Acho que pode parecer loucura, mas ansiamos por novamente poder dizer como Jesus dizia, quem vê a mim, vê o Pai. Por que isso, estando no Pai, naquele que É, o Eu sou, nEle eu vou sendo e vou deixando o outro ser.
Um coisa que percebo em Jesus, é o quanto ele permitia que o outro fosse. Aparentemente, ele não determina quem o outro é apartir dele mesmo, de suas experiências e do seu tato; antes, permite que o outro seja. Talvez, por isso mesmo que ao aproximar de um cego, um coxo, um leproso, ele perguntava: “o que quer que eu faça, o que você quer de mim?” Por que apesar de ser mais um doente, era um outro doente. Apesar de que todos os leprosos, poderiam querer a cura, aquele próximo leproso, era um outro leproso, diferente do anterior, diferente do próximo, e diferente principalmente de mim, de Jesus, diferente de cada um de nós.
Acredito que olhar como Jesus, ou com os olhos dEle, seria olhar para o outro, como outro. Não como eu gostaria que o outro fosse, mas como ele é. É aceitar o outro, é querer o outro por perto, por que é outro. É não aceitar mais que seja o mesmo de mim e sempre considerar que o outro é outro diferente mesmo, apesar de muitas coisas iguais!
É aceitar que o outro tem limites, que não são os mesmos para todos, mas são diferentes para cada um. Sendo, um outro um próximo, o desafio está dado, cada próximo meu é um outro diferente. E preciso ver, lidar e relacionar com a realidade de que cada próximo é um outro e é um diferente e é um desafio e é uma aventura e é uma descoberta e é uma vida.
Somente pela graça de Deus, que me permitir estar nele, para ser e deixar ser. Como disse meu amigo Stutz, bastasse reconhecer que somos (ou que não somos) e nos entregar nas mãos do Único que pode nos transformar. Transformação essa que acontece quando eu me abro pra Ele, me abrindo para o outro.
FALTA DE AMOR VERSUS FALTA DE AMIZADE
Pessoas que conheço curtiram uma frase com a dualidade acima. E declararam a vitória da falta da amizade sobre a falta de amor, no assunto ruína de relacionamentos e casamentos. É falta de amizade e não a falta de amor que arruína relacionamentos! Dogmático e categórico.
Fico pensando sobre essas duas questões que se apresentam. Acho dificil escolher uma delas, e equacioná-las com relacionamento. Muito amor, muita amizade é sinonimo de bom relacionamento? Falta amor, muita amizade, idem? Muito amor, pouca amizade significa ruína e por aí vai?
Gostaria só de pensar um pouco sobre o que é amor, e o que é amizade. Sabendo que, dificilmente vamos esgotar e determinar tanto um quanto o outro. E com isso não quero desmerecer o mérito da frase proposta e de sua intenção, mas apenas ponderar sobre os limites dela. E acredito que, amor e amizade são elementos essenciais para bons relacionamentos, e para mim, a falta de qualquer um deles, dentre outros, é ruína para um relacionamento.
Eu queria pensar numa faceta do amor para considerarmos melhor sobre o mesmo: o Altruísmo. A capacidade de sair de si, para dignificar o outro. Ou a inclinação para obter o bem para o próximo. São Paulo, escrevendo sobre o amor, fala sobre isso, que o amor não busca seu próprio interesse. É dificil falarmos sobre esse ponto, quando o assunto é relacionamento amoroso, por que os amantes estão sempre buscando o seus próprios interesses no outro, o que precisa mudar. Mas no casamento, essa busca pelos próprios interesses deveria transformar-se de busca dos meus para ao menos na busca dos nossos interesses, ou na sastisfação de saber que os interesses do outro suprido supre os meus. Vê como é imprescindível apenas um dentre vários aspectos que o amor é.
Dizem sobre a amizade, sobre o amigo, que é aquele que apesar dos seus defeitos, continua gostando de você, outro poeta diz que amizade não se faz, mas se descobre. O que mais me encanta na amizade é que através dela, você se descobre amando. Ela é o ambiente melhor para se amar, principalmente o amor dos amantes, por que é onde eu escolho o outro sem a menor necessidade do outro, até que eu decida necessitar dele.
É por essa razão que não consigo pensar na equação acima. Sem amor, não existe possibilidade de amizade. Sem amizade, no relacionamento amoroso, o amor perde o sentido. É quase impossivel um relacionamento sem a possibilidade de ambos, amor e amizade, o tempo todo. Um dos desafios para o cristão é de amar seu inimigo, pois é o esforço para desenvolver o amor num ambiente totalmente desfavorável a ele. O que apenas demonstra que a ruína nem sempre é necessária.
Concordo com alguém que disse acerca do verdadeiro amor. O amor está ficando banalizado, mas não o amor verdadeiro. E talvez, o que arruína um casamento, um relacionamento, não seja tão fácil de se escrever em alguns caracteres. Às vezes, queremos respostas fáceis para a vida, mas a vida é complexa demais para uma resposta muito simplista assim. Talvez, o que arruína a nossa vida, é vivermos ela de maneira rasa, pouco autêntica, banalizando-a, querendo torná-la fácil e barata. Viver é caríssimo, meu caro, e todos os seus desdobramentos (relacionamentos, familia, trabalho, vocação) idem!
Madrugada esta…
Tenho sofrido madrugadas insones.
A última não. Dormi cedo, até tarde.
Mas passando por dias difíceis.
Dias de expectativa do algo que aconteceria,
Mas nada tem acontecido, nada de muito especial.
Como é possível nada transtornar a sua vida?
Como é possível acontecido algum mudar toda a rotina?
Talvez o que faltava era apenas a expectativa.
Apenas a esperança!
Mas logo quando apenas resta essa última, é que nós desistimos!
O QUE FAZ OS OLHOS SORRIREM. . .
“O que faz os olhos sorrirem?
É ver, ver novamente
Rever e rever de novo!
Reverenciar o visto,
A visão,
A visada!
O que faz os olhos sorrirem…?
É ver o comum como outra coisa.
Ver o incomum cotidiano,
É ver o belo do triste,
A suavidade da dor,
A textura e delícia do sofrimento.
É não deixar passar batido nada que pudesse ser visto,
Ainda que a mente da gente minta sobre o visto.
O que faz os olhos sorrirem, vê-se com os outros olhos,
Vê-se com o coração!”
AMOR BOM
O seu amor é bom,
Tem cheiro de tudo que é bom.
Me lembro como da primeira vez,
Desde o momento em que a gente se viu.
O seu vestido balançava ao som da minha canção,
Meu coração que batucava fora desta marcação.
O seu gingado é bom,
Sentir seu corpo se impregnar no meu.
Té dá saudade enquanto a vida corre
Pra quando puder corro para os braços seus.
Pra balançar juntinho ao som desta canção.
Minha batida vida bate nesta marcação
Pra me embalar nos lábios que cantam os desejos meus
Nas entrelinhas da canção.
O seu amor é bom,
Tem cheiro de tudo que é bom.
Me lembro como da primeira vez
Desde o momento que a gente se viu.
Você que batucando forte no seu violão,
Cantava o meu amor nos compassos dessa canção.
Marco Faria – no Arte no Intervalo (via CULTURAMA)
Minha participação no Arte no Intervalo, evento realizado pelo coletivo Culturama de Sorocaba, na UNISO!
via CULTURAMA
HUMANIDADE: SER HUMANO É SER IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS
HUMANIDADE: SER HUMANO É SER IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS
O plano de Deus ao homem, é estabelecido na sua humanidade. O pecado, em última instância é a busca de superação ou subjugação da humanidade!
O pecado entra na realidade do homem, quando ele é convencido de estar subjugado pela humanidade, falhas e limites, crê-se possível superá-la. Desse modo o homem decide não-ser aquilo que Deus o criou para ser, homem-imagem-semelhança. Buscando então, sempre ser alguma outra coisa, ou além-humano, ou aquém-humanidade.
Quando a serpente ilude o homem e a mulher, sugere a possibilidade da superação da humanidade constituída no ser igual a Deus, e argumenta que Deus subjugou o homem à sua própria humanidade, seu limite.
Quando o homem se justifica diante de Deus, ele se vale do mesmo artíficio, buscando superar a si mesmo subjugando a mulher, “a mulher que me deste”. Como se, tornando vítima da humanidade da mulher, superasse a sua própria humanidade.
O interessante é que, o que Cristo faz ao se tornar humano é simplesmente ser humano, segundo o plano de Deus, nem aquém nem além, e vive até às últimas conseqüências dessa humanidade, ao ponto de trazer sobre si todas as falhas e limites da humanidade, apesar de não ter falhado ou vivido fora dos limite da humanidade.
Jesus viveu sem subjugar-se a ela (o pecado dos pecadores), sem buscar superá-la (o pecado dos fariseus e religiosos). Toda a sua vida é extremamente humana, com desejos e sentimentos humanos, sujeitos à Deus. (Até Mesmo os milagres, “fazendo aquilo que o Pai está fazendo.”)
(Ele levou sobre si…) Dores, falhas, limites, frustrações, mas ao redimir a humanidade, as dores, os pecados, os limites, as frustrações permaneceram, elas ainda fazem parte da humanidade. E a cruz valida isso, mas não as subjuga, nem as supera, antes justifica a humanidade e todas as suas mazelas, falhas, limites!
A cruz redime a humanidade apontando, demonstrando um caminho de como ser humano segundo Deus. Pois o que há nesse mundo é possível à humanidade, pois o mundo jaz em maldade, mas não a humanidade, que foi redimida pela cruz. Agora, ser humanidade é ser-no-mundo, então padece e sofre como demonstrado na cruz. Justos e injustos.
Daí o convite da cruz, que não é de subjugação, nem de superação da humanidade, mas para sujeitar à Deus a nossa humanidade! E ser humano, como ele quis, imagem e semelhança. E ser humano nesse mundo, ainda que ele seja mal. Foi assim que ele pediu ao Pai, “Não os tire do mundo, mas os livre do mal.”

